cheiro de fêmea, buceta cheirosa
Sei que sou um anormal. Um desclassificado. Afinal, como nomear alguém cujo prazer maior vem de um sentido exacerbado: o do olfato. Não tenho claro como isso começou, mas guardo a imagem de, muito pequeno ainda, me enfiar por debaixo da mesa para espiar entre as pernas da tia Izaura. Mas não era a visão daquelas canelas finas cobertas por meias grossas presas às coxas por um elástico rendado, nem o pedaço de carne muito branca e macia que se estendia até a virilha, e sim o cheiro que dela se desprendia que me deixava literalmente aturdido.

Esse prazer secreto nunca parou. Nas brincadeiras de infância, adorava o pega-pega com as meninas só para, no fim, sentir o aroma molhado de seus cabelos e pele. Já no ginásio, dava sempre jeito de ficar na porta do vestiário vendo-as entrar pingando após o jogo de vôlei. E assim fui crescendo, sentindo essa estranha atração por cheiro de mulher, mas com receio de parecer bizarro, nunca pude falar disso com ninguém.
Já adolescente, notei que beijos e amassos só me excitavam realmente se trouxessem algo mais. E então sofistiquei o método: passei a aparecer sem aviso, bem quando a namorada ajudava a mãe na faxina da casa. Com alguma lábia dava um jeito de levá-la até um canto mais escondido e, mesmo à luz do dia, prensava-a na parede num abraço intenso e desajeitado, enfiando o nariz na axila e a mão curiosa por dentro da sua calcinha e a bolinava um pouco. Envergonhada por ter sido surpreendida tão desarrumada, assustada com a abordagem, excitada e, ao mesmo tempo temerosa da mãe nos flagrar, a garota acabava transpirando e umedecendo a xoxota mais ainda, o que para mim era um verdadeiro delírio. Quase explodindo de desejo, eu saía de lá voando para o meu quarto, onde ficava cheirando minha mão por horas, enquanto me masturbava repetidamente até quase desfalecer.

Tive muitas namoradas, e elas nunca entenderam como à noite, quando se arrumavam para sairmos, eu não parecia tão atraído. De todas, a que gostei mais foi Madalena, cujo aroma delicioso recendia a bicho. Já quase terminando a faculdade, e apaixonado, tentei me abrir, explicando o quanto gostava de seu cheiro natural, mas Madalena relutava. Acreditei que cederia um dia, chegamos a nos casar, mas ela nunca me compreendeu. Com o tempo, foi ficando mais e mais incomodada com meus estranhos pedidos, e cheia de pudores, passou a me rejeitar chamando-me de tarado.
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cheirando a buceta e o cuzinho da mulherO casamento durou pouco, é óbvio. Desde então, aprimorei o fetiche, o olfato e as escolhas. Aceitei que não posso prescindir do cheiro intenso de uma fêmea, e por isso faço o que for para conseguir parceiras, até a submissão se for preciso. Inscrevi-me num clube de sadomasoquistas e por lá tenho encontrado algumas mulheres bem interessantes que aceitam fazer sexo nas minhas condições: que não tomem banho, não usem perfume, sequer desodorante, não se depilem e nem troquem de calcinha 24 horas antes do nosso encontro. Uma vez no ato, elas logo percebem que eu literalmente perco qualquer traço de razão quando enfio o rosto numa boceta peluda e suada, transformando-me num animal dócil, absolutamente servil. Em troca, aceito tapas, ordens o que for. E as trato tal como divindades, dando-lhes com meu pau, boca, língua e dedos o prazer máximo, até que me peçam para parar de tão satisfeitas. É quase como que amor.

Infelizmente, ainda não consegui unir esse prazer específico com um relacionamento afetivo e duradouro. Mas ainda tenho fé de encontrar minha alma gêmea. Contudo ela terá que vir naturalmente. Afinal, não posso sair por aí perguntando àquelas que me atraem: você gostaria de se mostrar mulher de verdade?



Pequenos pássaros – AnaïsNin, 1979


Anaïs Nin foi uma feminista e vanguardista da revolução sexual nos anos 40. Ela escreveu contos eróticos nessa época, que só foram publicados na década de 70, depois de sua morte, compilados com o título Pequenos pássaros. O livro traz treze histórias sobre paixões e anseios sexuais. Trecho do livro: 

 “Depois, me tocava devagar, como se não quisesse me despertar, até que eu ficava molhada. Ai, seus dedos passavam a se mover mais depressa. Ficávamos com as bocas coladas, as línguas se acariciando. Aprendi a pôr o pênis dele em minha boca, o que o excitava terrivelmente. Ele perdia toda a delicadeza, empurrava o pênis e eu ficava com medo de me engasgar. Uma vez eu o mordi, o machuquei, mas ele não se incomodou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, nossos rostos ficaram cobertos com ela. O cheiro maravilhoso de sexo impregnou meus dedos. Eu não quis lavar as mãos.” 
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Eu não minto
Eu invento
E se tomo vinho tinto
Logo me esquento!
Quando sinto,
Eu tento.
Percorro o labirinto,
Busco o vento.
Arranco o teu cinto,
Deixo-te sedento
Aí vejo o teu pinto
E sento!



Ana C. Pozza



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Tesão de fêmea


Mal podia esperar a hora de estarmos juntos e só em pensar sentia um ardor focado entre as pernas que me fazia contorcer num gesto involuntário, e, deste queimor, aquela umidade que molhava o fundo da calcinha. Desci a mão e com o dedo médio fui me tocando, escorregando por onde nascia meu querer afoito e quase sem controle e molhada, como gostava de fazer, levei o cheiro dos meus dedos melados à narina para sentir o que me emana instantaneamente quando fico com tesão.
Eu imaginava o momento de poder estar com ele, encostada na sua rigidez como se empurrasse sua força como se quisesse penetrar, atravessar-lhe a alma com meus suspiros de cio.
Eu fico assim, assanhada, agitada e já vou antecipando, baixando as rendas que vesti para ele, vou me despindo, abreviando o momento, querendo... querendo...
Mas, minha tara mesmo seria a de enterrar meu rosto onde ele sempre me espera latejante e sugar tudo aquilo que via tão próximo que pude sentir teu cheiro de macho começando na virilha, em torno dos seus testículos, subindo rumo ao seu cume fremente, pulsante, gotejante.
 O bom da vida mesmo seria gozar no seu pau quente meu amor, enquanto chupo e mordo seus lábios e se há concordância, vem com tudo o que fluir no momento do nosso desejo.
Amante






Desculpe-me a falta de postura, candura, de
vergonha nos olhos, um vento forte
passou por aqui
e levantou minha saia.
Logo, imaginei suas mãos nas minhas pernas, coxas,
subindo para costas, descendo ao infinito.
Me desculpe a falta de sossego, de desapego
a estas roupas no corpo.
Excitada eu fico sem vergonha, sem calcinha,
sem juízo.
Excitada eu permaneço ligada e só você desliga, liga de novo,
desliga, me abraça, me usa.
Porque eu permito.


 Erica Maria  



Fabricio Carpinejar é um poeta  que ama o universo feminino,  não tem o menor interesse em mudá-lo, vive muito bem dentro dele e ainda se diz  "gay heterossexual". Esse é bom e encanta o público feminino e é muito admirado por ele e com toda razão.

Ele é assim como um amigo me disse certa vez: "Eu sou lésbico, só tenho tesão por mulher.

"A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor. Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra. Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca. Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
 O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo.
Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé. Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. Segurar os dois pés é carregar no colo. Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença. voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando.

A mulher que ninguém quer eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer."
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Fabricio Carpinejar:é poeta, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Nascido em Caxias do Sul (RS), é filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional.

Em 2010 lançou o livro de crônicas Mullher Perdigueira.


. E.. tudo começou com uma certa selvageria quando ele jogou-me na cama e meteu sem rodeios aquela pica que mais parecia uma escultura de aço
Foi só depois de um certo tempo de muita trepação é que descobri que ele tinha um apelido íntimo entre os amigos: "Jairinho Buceta". É verdade, mais daí eu ja sabia e tinha provado daquele macho delicioso e muito fodedor que fazia jus a esse codinome. Sorte a minha para o primeiro chifre colocado no meu marido tão cheio de si que nem imaginava que um dia fatalmente eu iria adornar sua testa homericamente com um fodaço digno de um apimentado filme pornô, numa silenciosa guerra de chumbo trocado, isto é: na mesma moeda, ou melhor com arsenal compatível para nenhum dos dois ficar na desvantagem. Na verdade ele era um bundão com seu egoísmo na cama, mais preocupado com sua performance sexual fora do casamento do que com sua fêmea "particular", porque, se sentia fortificado pelos conceitos intra muros dessa união.
Eu não pensava em vingança, aliás eu nem pensava nisso, apenas dava cordas ao meu desejo estancado por anos a fio. Eu buscava emoções, sexo, experiência com aquele homem tesudo e que me deixava fora de mim quando o avistava na loja de tapeçaria de sua irmã e seu olhar me comia salivante despindo-me e eu ficava excitada com isso.
Tinhamos hóspedes em casa e deixei meu marido tomando umas e outras com petiscos e precisei sair para uma compra rápida no supermercado, mas, antes disso passei na porta de um bar onde eu sabia ele estar na varanda jogando xadrez com alguém, e não tive erro, lá estava ele que largou tudo e veio correndo até meu carro. Seu olhar me queimava e perguntou.
— Onde você vai?
— Passei aqui pensando vê-lo rapidamente - sem disfarçar meu sorriso de alegria, sai para comprar alguma coisa.
— Ah, você não pode largar tudo e vir comigo, vamos sair por aí?
Apesar de querer tanto fiquei em dúvida, mas o desejo de estar com ele me dominou por completo que nem questionei.
— Tranca seu carro, e vamos no meu.
Assim que desci ele agarrou minha mão puxando-me de encontro ao seu corpo num beijo que me desestabilizou do chão, guiou-me para dentro do carro e senti que tudo estava para acontecer
Minha buceta ardia e melava, quando ele escorregou sua mão por baixo da minha saia e a tocou me fazendo derramar de tanta vontade de dar para o dono de tamanha tesão despertada em mim. Ali dentro a música tocava um ritmo frenético que tinha tudo a ver com nosso clima naquela tarde de sábado.>
Eu não buscava romance, paixão ou algo relacionado. Era sexo mesmo, carne, desejo, eu estava carente, atrasada no meu orgasmo reprimido.

— Gata delícia, posso levá-la para onde eu gostaria?
— Sim, eu vou com você.

Já no motel caminhamos loucos porta a dentro. Ele abraçado a mim guiou-me até a cama tirando-me a roupa na medida em que beijava e sugava as partes que iam gradativamente ficando nuas.
Era a primeira vez que eu trasava naquela posiçãoE.. tudo começou com uma certa selvageria quando ele jogou-me na cama e meteu sem rodeios aquela pica que mais parecia uma escultura de aço. Penetrou fundo e estocava sem intervalo e era de pica que estava carente, ele deve ter percebido quando pegou-me nos braços saiu da cama e levantou-me enquanto eu enlaçava com as pernas o seu quadril. Encostado na parede ele sustentava no alto meu peso sem esforço com seu corpo atlético de praticante do Taekwondo e metia a vara sem dó, aquele adorável tarado por buceta, macho sem permeio que me deu o primeiro gozo nas alturas e me senti desfalecer erguida e amparada nos seus braços.

Passamos por pelo menos 2 horas no mesmo ritmo, só parando para tomar água de tão seca ficavam nossas bocas.
Ohh Jairinho Buceta, que delícia ao recordar daquele dia em que molhei boa parte do lençol com meu melzinho que era abundante e porque não dizer, bastante fora do meu habitual.

Depois desse fodão saímos felizes e sorridentes até o local do nosso ponto de partida, peguei meu carro fui ao super-mercado.
Como se fosse a dona de casa mais casta do mundo entrei pelo pequeno corredor que levava a área de serviço, guardei as compras e me encaminhei para a sala de estar com a xoxota arrombada, acho até que eu cheirava a porra.
Ele estava frente a televisão num animado papo com o hóspede, um parente seu.
Sentei-me ao seu lado e o fitei bem dentro dos olhos enquanto os meus contraiam, guardando esse segredo com um sentimento de satisfação comigo mesma e eu podia encará-lo sabendo que estávamos a partir daquele dia no mesmo nível de igualdade enquanto que, antes, eu o esperava ansiosa e sem tempo de espera até que ele voltasse de suas noitadas, compensado em seus anseios por vadiagens livres.
Poucos dias depois comecei a frequentar uma academia de Taekwondo e passei a ser uma brilhante aluna influenciada e alimentada por Jairo, meu padrinho no "batismo de fogo" nesse esporte e... no outro, desenvolvido e praticado conforme nossas fantasias.
Após nosso horário, dali rumávamos para o próximo motel onde depois de um delicioso banho a dois com direito a muita devassidão debaixo da água, praticávamos prazerosamente nossos melhores momentos do esporte corporal também regado a muito suor que era a "caceta na buceta".

Na academia, esse entretenimento com duas horas de treino foi por um bom tempo o álibi para nossos encontros plenos de desejo, sexo, orgasmos múltiplos com muito suor dessa nossa paixão.

Foi esse o substrato ou essência de um relacionamento (meu casamento) levado na mentira e traição, acobertado pela hipocrisia de uma instituição registrada em cartório como se tratasse de papéis de contrato da posse de um imóvel, enquanto, geralmente só uma das partes cumpre o pacto permanecendo submissa e com voz muda, senão... a casa cai.

Amante


Nunca fui uma boa moça. Nunca gostei de cores neutras, emoções neutras, desejos descoloridos. Sou a moça das intensidades.
 Sempre burlei as aulas, mas nunca burlei minha carnalidade. Minha calcinha é de menina, mas minha vontade é endiabrada. Eu tenho versos sobre o sexo, vermelhos sobre os seios, frio arrepiando os pêlos.
 Não gosto da cabeça de meninos, mas tudo bem se for um menino com cabeça meia-idade. Eu aceito o risco, risco minhas folhas, pinto o sete nos lençóis. Dizer que alguém me segura é bobagem. Eu sou das lingeries, das meias, das tendas móveis que o vento leva. O coração me explica [secretamente], o erótico me expõe.

 Sou uma baba de moça. [isso quer dizer: gostosa!] Sou uma moça de babar. [isso quer dizer: deixar homens de queixo caído!]

 Erica Maria