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Tesão de fêmea


Mal podia esperar a hora de estarmos juntos e só em pensar sentia um ardor focado entre as pernas que me fazia contorcer num gesto involuntário, e, deste queimor, aquela umidade que molhava o fundo da calcinha. Desci a mão e com o dedo médio fui me tocando, escorregando por onde nascia meu querer afoito e quase sem controle e molhada, como gostava de fazer, levei o cheiro dos meus dedos melados à narina para sentir o que me emana instantaneamente quando fico com tesão.
Eu imaginava o momento de poder estar com ele, encostada na sua rigidez como se empurrasse sua força como se quisesse penetrar, atravessar-lhe a alma com meus suspiros de cio.
Eu fico assim, assanhada, agitada e já vou antecipando, baixando as rendas que vesti para ele, vou me despindo, abreviando o momento, querendo... querendo...
Mas, minha tara mesmo seria a de enterrar meu rosto onde ele sempre me espera latejante e sugar tudo aquilo que via tão próximo que pude sentir teu cheiro de macho começando na virilha, em torno dos seus testículos, subindo rumo ao seu cume fremente, pulsante, gotejante.
 O bom da vida mesmo seria gozar no seu pau quente meu amor, enquanto chupo e mordo seus lábios e se há concordância, vem com tudo o que fluir no momento do nosso desejo.
Amante






Desculpe-me a falta de postura, candura, de
vergonha nos olhos, um vento forte
passou por aqui
e levantou minha saia.
Logo, imaginei suas mãos nas minhas pernas, coxas,
subindo para costas, descendo ao infinito.
Me desculpe a falta de sossego, de desapego
a estas roupas no corpo.
Excitada eu fico sem vergonha, sem calcinha,
sem juízo.
Excitada eu permaneço ligada e só você desliga, liga de novo,
desliga, me abraça, me usa.
Porque eu permito.


 Erica Maria  



Fabricio Carpinejar é um poeta  que ama o universo feminino,  não tem o menor interesse em mudá-lo, vive muito bem dentro dele e ainda se diz  "gay heterossexual". Esse é bom e encanta o público feminino e é muito admirado por ele e com toda razão.

Ele é assim como um amigo me disse certa vez: "Eu sou lésbico, só tenho tesão por mulher.

"A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor. Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra. Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca. Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
 O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo.
Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé. Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. Segurar os dois pés é carregar no colo. Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença. voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando.

A mulher que ninguém quer eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer."
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Fabricio Carpinejar:é poeta, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Nascido em Caxias do Sul (RS), é filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional.

Em 2010 lançou o livro de crônicas Mullher Perdigueira.


. E.. tudo começou com uma certa selvageria quando ele jogou-me na cama e meteu sem rodeios aquela pica que mais parecia uma escultura de aço
Foi só depois de um certo tempo de muita trepação é que descobri que ele tinha um apelido íntimo entre os amigos: "Jairinho Buceta". É verdade, mais daí eu ja sabia e tinha provado daquele macho delicioso e muito fodedor que fazia jus a esse codinome. Sorte a minha para o primeiro chifre colocado no meu marido tão cheio de si que nem imaginava que um dia fatalmente eu iria adornar sua testa homericamente com um fodaço digno de um apimentado filme pornô, numa silenciosa guerra de chumbo trocado, isto é: na mesma moeda, ou melhor com arsenal compatível para nenhum dos dois ficar na desvantagem. Na verdade ele era um bundão com seu egoísmo na cama, mais preocupado com sua performance sexual fora do casamento do que com sua fêmea "particular", porque, se sentia fortificado pelos conceitos intra muros dessa união.
Eu não pensava em vingança, aliás eu nem pensava nisso, apenas dava cordas ao meu desejo estancado por anos a fio. Eu buscava emoções, sexo, experiência com aquele homem tesudo e que me deixava fora de mim quando o avistava na loja de tapeçaria de sua irmã e seu olhar me comia salivante despindo-me e eu ficava excitada com isso.
Tinhamos hóspedes em casa e deixei meu marido tomando umas e outras com petiscos e precisei sair para uma compra rápida no supermercado, mas, antes disso passei na porta de um bar onde eu sabia ele estar na varanda jogando xadrez com alguém, e não tive erro, lá estava ele que largou tudo e veio correndo até meu carro. Seu olhar me queimava e perguntou.
— Onde você vai?
— Passei aqui pensando vê-lo rapidamente - sem disfarçar meu sorriso de alegria, sai para comprar alguma coisa.
— Ah, você não pode largar tudo e vir comigo, vamos sair por aí?
Apesar de querer tanto fiquei em dúvida, mas o desejo de estar com ele me dominou por completo que nem questionei.
— Tranca seu carro, e vamos no meu.
Assim que desci ele agarrou minha mão puxando-me de encontro ao seu corpo num beijo que me desestabilizou do chão, guiou-me para dentro do carro e senti que tudo estava para acontecer
Minha buceta ardia e melava, quando ele escorregou sua mão por baixo da minha saia e a tocou me fazendo derramar de tanta vontade de dar para o dono de tamanha tesão despertada em mim. Ali dentro a música tocava um ritmo frenético que tinha tudo a ver com nosso clima naquela tarde de sábado.>
Eu não buscava romance, paixão ou algo relacionado. Era sexo mesmo, carne, desejo, eu estava carente, atrasada no meu orgasmo reprimido.

— Gata delícia, posso levá-la para onde eu gostaria?
— Sim, eu vou com você.

Já no motel caminhamos loucos porta a dentro. Ele abraçado a mim guiou-me até a cama tirando-me a roupa na medida em que beijava e sugava as partes que iam gradativamente ficando nuas.
Era a primeira vez que eu trasava naquela posiçãoE.. tudo começou com uma certa selvageria quando ele jogou-me na cama e meteu sem rodeios aquela pica que mais parecia uma escultura de aço. Penetrou fundo e estocava sem intervalo e era de pica que estava carente, ele deve ter percebido quando pegou-me nos braços saiu da cama e levantou-me enquanto eu enlaçava com as pernas o seu quadril. Encostado na parede ele sustentava no alto meu peso sem esforço com seu corpo atlético de praticante do Taekwondo e metia a vara sem dó, aquele adorável tarado por buceta, macho sem permeio que me deu o primeiro gozo nas alturas e me senti desfalecer erguida e amparada nos seus braços.

Passamos por pelo menos 2 horas no mesmo ritmo, só parando para tomar água de tão seca ficavam nossas bocas.
Ohh Jairinho Buceta, que delícia ao recordar daquele dia em que molhei boa parte do lençol com meu melzinho que era abundante e porque não dizer, bastante fora do meu habitual.

Depois desse fodão saímos felizes e sorridentes até o local do nosso ponto de partida, peguei meu carro fui ao super-mercado.
Como se fosse a dona de casa mais casta do mundo entrei pelo pequeno corredor que levava a área de serviço, guardei as compras e me encaminhei para a sala de estar com a xoxota arrombada, acho até que eu cheirava a porra.
Ele estava frente a televisão num animado papo com o hóspede, um parente seu.
Sentei-me ao seu lado e o fitei bem dentro dos olhos enquanto os meus contraiam, guardando esse segredo com um sentimento de satisfação comigo mesma e eu podia encará-lo sabendo que estávamos a partir daquele dia no mesmo nível de igualdade enquanto que, antes, eu o esperava ansiosa e sem tempo de espera até que ele voltasse de suas noitadas, compensado em seus anseios por vadiagens livres.
Poucos dias depois comecei a frequentar uma academia de Taekwondo e passei a ser uma brilhante aluna influenciada e alimentada por Jairo, meu padrinho no "batismo de fogo" nesse esporte e... no outro, desenvolvido e praticado conforme nossas fantasias.
Após nosso horário, dali rumávamos para o próximo motel onde depois de um delicioso banho a dois com direito a muita devassidão debaixo da água, praticávamos prazerosamente nossos melhores momentos do esporte corporal também regado a muito suor que era a "caceta na buceta".

Na academia, esse entretenimento com duas horas de treino foi por um bom tempo o álibi para nossos encontros plenos de desejo, sexo, orgasmos múltiplos com muito suor dessa nossa paixão.

Foi esse o substrato ou essência de um relacionamento (meu casamento) levado na mentira e traição, acobertado pela hipocrisia de uma instituição registrada em cartório como se tratasse de papéis de contrato da posse de um imóvel, enquanto, geralmente só uma das partes cumpre o pacto permanecendo submissa e com voz muda, senão... a casa cai.

Amante


Nunca fui uma boa moça. Nunca gostei de cores neutras, emoções neutras, desejos descoloridos. Sou a moça das intensidades.
 Sempre burlei as aulas, mas nunca burlei minha carnalidade. Minha calcinha é de menina, mas minha vontade é endiabrada. Eu tenho versos sobre o sexo, vermelhos sobre os seios, frio arrepiando os pêlos.
 Não gosto da cabeça de meninos, mas tudo bem se for um menino com cabeça meia-idade. Eu aceito o risco, risco minhas folhas, pinto o sete nos lençóis. Dizer que alguém me segura é bobagem. Eu sou das lingeries, das meias, das tendas móveis que o vento leva. O coração me explica [secretamente], o erótico me expõe.

 Sou uma baba de moça. [isso quer dizer: gostosa!] Sou uma moça de babar. [isso quer dizer: deixar homens de queixo caído!]

 Erica Maria 
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Mergulhei nos arquivos do meu cérebro, vasculhei gavetas, esvaziei, limpei tudo por seus quatro cantos, fechei e tranquei com a chave do esquecimento desfragmentando você de minhas memórias.

Exclui do meu e-mail suas palavras, imagens vídeos das esperanças que me fez crer um dia e que me deixei levar por fervor em ti.

No frio do meu quarto escuro a cama jazia ainda com os lençóis do seu cheiro, revirei-os para o alto levantando bandeira, sacudi nossas partículas grudadas em suas fibras, abafando o eco dos nossos gemidos virando-os do avesso, embolei nas mãos e os afoguei nas águas da máquina de lavar. Ali tudo seria dissolvido, alvejado e centrifugado - sonhos, esperanças, lágrimas, paixão, tesão, respingos de nossos gozos, todas as lembranças vividas seriam de agora em diante esvaziadas e levadas pela tubulação.

Fui queimando as fotos uma a uma, enquanto via as chamas consumirem aos poucos, retorcendo as expressões dos nossos rostos tomando formas surreais, os sorrisos antes espontâneos foram diante de meus olhos envergando-se até vê-las transformados numa fina película de carvão encolhido e transparente, que, de tão tênue eu podia assoprar pela janela a fora e vê-la diluída em pó escuro sendo levada pelo vento - aquele meu tempo vivido como se fosse capaz de com este gesto apagar todas lembranças.

Um banho de alma... eu precisava pelo menos simbolizar este ato no meu corpo. Entrei no chuveiro abri o máximo e a ducha se derramou sobre meus cabelos, descendo aos ombros, formando cachoeiras deslizando por cada centímetro do meu corpo, concentrei-me na lembrança dos seus toques nos meus seios, ventre, suas mãos buscando minha buceta os dedos entreabrindo-a na busca do meu clitóris massageando a princípio delicadamente e aumentando a pressão gradativamente seu dedo médio alisando meu cuzinho, ora entrando ora saindo, enquanto ia abaixando o corpo buscando com a boca minha xana já ávida pelo calor de sua língua ... dentro de minhas mãos, seu pau duro apontando, desafiante teimoso e apressado.


Enquanto minhas lembranças foram criando corpo, percebi que me tocava deliciosamente recostada no piso do banheiro. Seria uma despedida ou uma homenagem?

Deixei-me levar na masturbação sem importar com nada que não fosse o desejo impetuoso de me explodir em gozo gritando seu nome, desabafando também com palavras ofensivas de dor e tesão por aquele puto, safado gostoso, maldito macho!!! te odeio e... gozei com uma pulsação ritmada como se seu corpo participasse com movimentos que até cheguei a sentir aquele seu cheiro de  hálito adocicado pelo desejo.

Prostrada por alguns minutos me senti como se aos poucos acordasse lentamente de minha hibernação. Só ouvia agora a água caindo sobre meu corpo e eu me entreguei então àquele torpor consequente.

Foi meu adeus exorcizante, concentrado no que existia de mais forte entre nós que era uma paixão fundamentada no ardor do sexo.


Amante

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A primeira lei que a natureza me impõe é gozar a custa de quem for. Marquês de Sade


Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade, é lembrado como célebre escritor francês do Séc. XVIII nascido em família nobre e detentor de vida e obra tão intensas e polêmicas que lhe fizeram passar grande parte da vida na prisão – muitos anos na Bastilha, muitos outros no Hospício de Charenton. Sua obra, pelas perversões narradas, deu origem a termos como “sadismo” e ao adjetivo “sádico”, relativos àqueles que sentem prazer sensual em infligir dor a seu semelhante.
Muito mais que um escritor, entretanto, Sade foi o precursor do niilismo moral consumado da era pós-moderna e, acima de tudo, uma espécie de filósofo do crime.

É certo que um autor não é seus personagens, mas sem dúvida todo personagem é, de alguma maneira, parte de seu autor.

Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos - na concepção moderna do termo.
"...e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes." Marquês de Sade

O sadismo é visível tanto na sua obra como na sua vida escandalosa.

Sade era senhor de um castelo em Lacoste (França) onde fazia diversas orgias, e para o qual contratava diversas prostitutas (os) como empregados, que, alegando maus tratos e abusos, depressa se despediam. Foi também para este castelo que levou a irmã de sua esposa com quem manteve uma relação, e uma mendiga/prostituta que alegou ser vítima de abusos sexuais e físicos (tinha Sade 28 anos)
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Outro grande escândalo ocorreu quando quatro prostitutas declararam que Sade e o seu criado as tinham flagelado, sodomizado e obrigado a consumir cantárida (um afrodisíaco). Crime pelo qual Sade é condenado a pena de morte (no entanto esta pena nunca será executada devido aos avanços da revolução francesa).
Sabe-se ainda que era comum pagar aos seus criados para o sodomizarem em público e que manteve um caso com uma garota de 13 anos nos últimos quatro anos de sua vida no hospício.

Minha conclusão:

  • Aceitar todos os instintos e impulsos que nos afloram, é o mesmo que aceitar nossa irracionalidade. Em se tratando de pessoa que possui algum distúrbio em seu perfil psicológico como no caso de Marquês de Sade só lhe resta mesmo viver encarcerado numa prisão ou passando os últimos anos de sua vida num manicômio o que somou 32 anos acusado de todos os tipos de crimes sexuais.
 ▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃▃
Esse ano aprendi que é preciso deixar que a vida nos despenteie, e decidi aproveita-la com mais intensidade.
O mundo é louco, definitivamente louco... 
O que é gostoso , engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o meu rosto, enruga. 
E o que é realmente bom nesta vida despenteia... 
Transar despenteia... 
Rir às gargalhadas, despenteia... 
Viajar, voar, correr,entrar no mar, despenteia....
Tomar banho de chuva, despenteia.... 
Tirar a roupa, despenteia.....
Beijar despenteia... 
Brincar despenteia.... 
Fazer sexo, despenteia...., 
e o que diria fazer amor?! ... 
Dançar despenteia? então dance. 
Então, como sempre, cada vez que nos encontremos eu estarei descabelada.
Mas estarei passando por momento feliz na minha vida. 

Entreguem-se, beijem, abracem, dancem, apaixonem-se, façam sexo e muito amor! Relaxem, viajem, pulem, corram, voem, cantem, arrumem-se para ficar pessoas lindas, arrumem-se para ficar confortáveis!
Admirem a paisagem, aproveitem, e, acima de tudo, deixem a vida despentear vocês!!!

 O pior que pode acontecer é que, de tanto rir de felicidade, vocês precisem se pentear de novo.

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FELIZ ANO NOVO!!!

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