O sexo e os valores morais na história
O sexo é certamente um dos aspectos importantes da vida humana, porém
nos quatro milhões ou mais de séculos em que existem seres humanos (ou
semelhantes), apenas nas poucas últimas centenas de anos começaram os
estudos mais objetivos.
A sexualidade humana tem sobrevivido como a mais espetacular
bem-sucedida adaptação na evolução da vida. Mudanças profundas tomaram
lugar desde a primeira fusão primordial de matéria entre as bactérias ou
algas verdes-azuladas ou o que quer que seja. As centenas de milhões de
anos entre aquela época e agora viram o desenvolvimento de uma incrível
diversidade.
Ao contrário das outras espécies, os humanos, desde seu aparecimento,
têm mostrado características diferenciais no tocante à expressão de sua
sexualidade. Enquanto nas outras espécies o acasalamento ocorre por
ocasião dos períodos férteis das fêmeas – com finalidade reprodutiva – a
espécie humana possui a capacidade de praticar o sexo não reprodutivo,
de maneira prazerosa num contexto afetivo ou não.
Até meados do século XIX, quando o amor ainda não fazia parte do casamento, havia uma regra para a vida do casal.
► A capacidade reprodutiva, única finalidade do sexo entre o homem e a
mulher, segundo descrito no livro da Bíblia, Gênesis (o início), teria
sido desviada de seus desígnios divinos. Por isto, o onanismo, a homossexualidade e a mulher montada no homem durante o sexo foram entendidos como proibitivas ou pecaminosas. ◄
Vintage erótica
O dever conjugal deveria ser cumprido, principalmente na cama e com
finalidade reprodutiva. Caso um dos cônjuges recusasse o ato sexual
recorria-se ao confessor, que censurava e podia negar a absolvição e a
comunhão
Caso um dos dois cônjuges recusasse o ato sexual, recorria-se ao
confessor que censurava e podia negar a absolvição e a comunhão. A
sexologia aparece na segunda metade do século XIX.
Em 1855, o Dr. Roubaud, expressando-se como um sexologista, foi um digno representante dessa postura.
No livro "Tratado sobre a impotência e a esterilidade no homem e na mulher", de 1855, o Dr. Roubaud , descreve o orgasmo nos seguintes termos catastróficos:
"No orgasmo a circulação se acelera (...). Os olhos violentamente
injetados, se tornam esgazeados (...). A respiração, ofegante e
entrecortada em alguns, se suspende em outros (...). Os centros nervosos
congestionados transmitem apenas sensações e evoluções confusas (...).
Os membros, tomados por convulsões e às vezes por câimbras, agitam-se em
todos os sentidos ou se estendem e se enrijecem como barras de ferro; os
maxilares cerrados fazem ranger os dentes, e algumas pessoas levam tão
longe o delírio erótico que, esquecendo o companheiro de sua volúpia,
mordem até sangrar um ombro que ali ficou incautamente abandonado. Esse
estado frenético, essa epilepsia e esse delírio geralmente duram pouco.
No entanto, bastam para esgotar as forças do organismo."
Embora a descrição possa conter atitudes e manifestações resultantes da
fisiologia humana, há nela um forte conteúdo negativo, como algo brutal e
ao ponto do descontrole por parte dos participantes no momento do
orgasmo. Tal descrição, certamente, possuía o intenção de desmotivar os
casais em obter o prazer em suas relações sexuais. Caso chegassem
próximo a esse desiderato, sentimentos de culpa restariam implícitos.
Quando na Inglaterra depois que a rainha Vitória ficou
viúva, em 1861, a repressão sexual se intensificou. O prazer sexual das
mulheres era inaceitável. A falta de desejo sexual era um importante
aspecto da feminilidade.
O ponto de vista oficial da época foi bem expresso por um tal de Lord
Acton, que escreveu:
.
.
"Felizmente para a sociedade, a ideia de que a mulher possui sentimentos sexuais pode ser afastada como uma calúnia vil."
Só para ter uma ideia de como era feito o exame ginecológico na era vitoriana, (rsrsrs)

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