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Horror ao sexo




A ideia do homem como superior à mulher em todos os sentidos foi absorvida pelas leis e costumes das antigas civilizações do Oriente Próximo. 

A mulher se tornou primeiro propriedade do pai, depois do marido e em seguida do filho.
A Igreja desenvolveu horror aos prazeres do corpo, e as pessoas que se abstinham e optavam pelo celibato eram consideradas superiores.
Quando a Igreja Cristã, solidamente baseada em fundações hebreias, tomou conta do mundo ocidental como sucessora de Roma, os relacionamentos social e sexual ficaram fossilizados no âmbar do costume hebreu antigo. Aos preconceitos do Oriente Próximo os pais da Igreja acrescentaram os seus. O sexo foi transformado em pecado e a homossexualidade em um risco para o Estado. 
Para os padres da Igreja o sexo era abominável. Argumentavam que a mulher (como um todo) e o homem (da cintura para baixo) eram criações do demônio. O sexo era “uma experiência da serpente” e o casamento “um sistema de vida repugnante e poluído”.

Notáveis pensadores cristãos como Tertuliano, Jerônimo, Agostinho, juntamente com São Paulo, deixaram as mais duradouras impressões em todas as idéias cristãs subsequentes sobre o sexo. Eles eram homens que haviam levado ativa vida sexual antes de se converterem ao celibato, e que depois reagiram com total repulsa ao sexo. 

Foi Agostinho quem disseminou o sentimento geral entre os padres da Igreja de que o intercurso sexual era fundamentalmente repulsivo sujo e degradante . Metódio de indecoroso, Jerônimo de imundo, Tertuliano de vergonhoso. Entre eles havia um consenso não declarado de que Deus devia ter inventado um modo melhor de resolver o problema da procriação. Agostinho, posteriormente, concluiu que a culpa não era de Deus e sim de Adão e Eva. 

A Igreja desenvolveu horror aos prazeres do corpo, e as pessoas que se abstinham e optavam pelo celibato eram consideradas superiores. Mateus disse: “homens se farão eunucos voluntários”. 


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Texto de Regina Navarro Linsuma psicanalista e escritora brasileira. Também é palestrante em assuntos como relacionamentos afetivos e sexualidade. Autora de onze livros sobre relacionamento amoroso e sexual. Foi professora da cadeira de Psicologia e Comunicação, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, quando criou a cadeira de Dinâmica de Grupo.

2 comentários:

  1. porquê este "horror ao sexo"...defesa ao ataque? recusa à aceitação? medo ou receio?

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  2. Madagascar2013
    A religião sempre interferiu na sexualidade das pessoas com o pretexto de colocar um freio naquilo que ela imagina pecado. Esse conceito começa em Gêneses quando Adão e Eva tiveram vergonha da sua nudez depois que praticaram o “pecado” que nos sugere estar relacionado quando eles descobriram a função sexual do seu corpo.
    Na cultura islâmica é pior ainda.
    Tudo está inserido na história contada pela Igreja, aliás, muito mal contada para quem possui um raciocínio dentro da lógica, principalmente quando conhece suas histórias cheias de lendas tão carregadas de contradições. A incoerência veio quando na bíblia diz que eles teriam a função de se multiplicar por toda a terra como está escrito em Gêneses: “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra” . Como então se multiplicaria não fosse por meio do sexo, o mesmo meio pelo qual Adão e Eva se viram desprovidos de pudor, quando se sentiram nus?

    A psicanalista Regina Navarro aborda esse tema com muita propriedade, visto ser uma estudiosa da sexualidade humana e ela poderá lhe dar algumas respostas que já estão inseridas no texto da postagem.

    O ser humano tem lá suas complexidades que depende muito da cultura e pontos de vistas da sua sociedade.
    Um abraço

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