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Como é a Mulher perdigueira?



Fabricio Carpinejar é um poeta  que ama o universo feminino,  não tem o menor interesse em mudá-lo, vive muito bem dentro dele e ainda se diz  "gay heterossexual". Esse é bom e encanta o público feminino e é muito admirado por ele e com toda razão.

Ele é assim como um amigo me disse certa vez: "Eu sou lésbico, só tenho tesão por mulher.

"A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor. Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra. Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca. Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
 O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo.
Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé. Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. Segurar os dois pés é carregar no colo. Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença. voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando.

A mulher que ninguém quer eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer."
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Fabricio Carpinejar:é poeta, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Nascido em Caxias do Sul (RS), é filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional.

Em 2010 lançou o livro de crônicas Mullher Perdigueira.


Um comentário:

  1. Então, para perceber melhor a coisa, vá ao kumidas&abandonadas,blogspot.com e leia o meu comentário no último post!
    Beijinho
    :)))

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