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Um poema erótico de Cora Coralina

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Embora se julgasse assexuada por sua própria condição de viúva, o tema erotismo é presença marcante em seus versos. Cora Coralina sente e enxerga o sexo em sua mais pura e natural eclosão. A forma como nos apresenta a libido vegetal e animal nos faz ver e, sobretudo, acreditar, no sexo natural, sem culpa, dogmas preconceito e tabus.

Aqui uma parte do poema erótico de Cora Coralina
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Cântico de Dorva

(excerto)
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Grita um bem-te-vi.
Dorva afunda no milharal.
 O ninho de Dorva.
A cama de Dorva
 de palha e folha
 na terra.
 Deixa-se
 cair sentada, deitada. 
Sobre seu ventre liso redondo
 desnudo, 
salta o macho. 
 Um ofego de posse 
tácito.
 Sexo contra sexo.
 Aquele cântico de Dorva, 
Aquele chamado – piado de fêmea: 
obscuro
 aflitivo 
 genésico 
instintivo veio vindo...veio vindo... 
Rugindo 
 chorando
 gritando 
apelando do fundo 
do tempo do fundo das idades.
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Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.

Para ler o poema na íntegra de Cora Coralina, clique no link: Cântigo de Dorva em arquivo pdf
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