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Quarto colorido


Deita comigo e nem sei seu nome
Suga-me, me consome do jeito que vier,
como se eu fosse a última mulher,
a última vez, a última flor.
O que vem buscar de mim
não está em mim.
Sou permitida para a vida,
proibida para o amor
Sou sua, sou de todos, de qualquer um,
mas esse quarto colorido
com tantas lembranças juntas
não passa de um lugar comum
para tolas perguntas.
Quanto vale o seu dinheiro que eu preciso?
Quanto vale meu sorriso?
Esse quarto é minha rua.
A rua é meu quarto
Só lhe peço, homem estranho.
Que saia farto, desfrute o que quiser
Ainda que eu seja a última
Trate-me como mulher.



3 comentários:

  1. Essa rosa, bem colocada, deixou essa delicia mais ainda!]
    BJSS
    LEO

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  2. Super, super sensuais...
    Tanto os versos
    Como a imagem...
    Parabéns!
    Beijos
    T I N I N

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  3. Toda mulher tem um pouco....
    De puta, de criança, de maluca.
    Toda mulher tem um pouco.
    Falo por mim porque vivi pouco tempo para fazer afirmações maiores.
    Falo por mim porque estou egoistamente presa na minha própria descoberta e existência.
    Mas pelo que tenho visto por aí, toda mulher tem um pouco de tudo.
    E como é difícil ser feliz com tantos poucos para agradar.
    Fora os milhares de hormônios que tornam cada um desses poucos mais do que dá para aguentar.
    E a cada suspiro, meus poucos se atrapalham: estou feliz ou com medo?
    Estou cansada ou excitada?
    Estou carente ou encantada?
    Estou fria ou fugidia?
    Numa única noite eu fui um pouco tudo, eu quis um pouco de tudo.
    Quando alguém vai acompanhar meu ritmo?
    Eu quis que ele não soubesse meu nome, depois quis ter o dele logo depois do meu.
    Eu quis que ninguém soubesse de tamanha traição.
    Depois quis gritar na janela como o proibido era sopro no meu coração.
    Eu quis sentir o poder de abalar com a vida dele.
    Depois quis que ele voltasse direitinho pra casa e esquecesse que existe a fraqueza.
    Eu quis ele por uma aventura, uma risada, uma distração.
    Depois quis o colo dele para sempre, mas fiquei com o meu pouco puta estampado na cara.
    Como eu preciso ser amada meu Deus, pra parar de dar de bandeja o meu sorriso por aí.
    Eu tenho meu pouco criança estampado em cada linha que escrevo e em cada bobeira que falo na espera de atenção.
    Maluca?
    Nas raras vezes que sou séria, me sinto tão maluca, que devo ser sempre maluca.
    De pouco em pouco encho o papo de ansiedade.
    Quando o muito virá?
    Eu nunca poderia ser feliz sem meu pouco trágica.
    Eu nunca posso estar satisfeita sem meu pouco idealista e eu nunca poderei ser mulher porque ainda falta pouco, muito pouco, mas eu sei que sempre faltará.
    Me completo de poucos, mas sigo esperando demais de tudo.
    Comida para cada um desses poucos que são buracos na minha alma.
    Meu pouco puta, safada, tarada, não tem um pingo de compostura.
    Meu pouco criança sofre e se diverte com o meu pouco louca.
    Meu pouco adulta perdoa tudo porque tem total consciência do meu pouco criança.
    Mas cada pouco espera o grande momento.
    A grande virada.
    O longo suspiro de paz.
    Cada pouco espera o colo, a excelente trepada, o beijo silenciador de neuroses, o abraço aquecedor de angústias.
    Cada pouca criatividade espera o salário digno, o carro novo, o cheiro de cada coisa minha conquistada, o sono de quem não deve um centavo a ninguém.
    Corro no desespero desses dias, da vida que virá, dos sonhos realizados, da felicidade, do sorriso banguelo da pureza infinita de um ser gerado por mim.
    Da luz.
    Meu pouco pessimista sabe que nada disso pode acontecer.
    Mas sigo com meu pouco otimista, aprendendo que ele a cada dia aumenta um pouco.
    Quem em cada pouco põe tudo que é merece ser feliz.
    E muito.

    (Tati Bernardi)

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